TRATAMENTO ANAERÓBIO DE ESGOTOS: AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA DE REMOÇÃO DE ESTROGÊNIOS

Fernanda Dittmar Cardoso, Alessandra Honjo Ide, Mauricius Marques dos Santos, Julio Cesar Rodrigues Azevedo

Resumen


O lançamento de efluentes domésticos, tratados ou não, em ecossistemas aquáticos, e o escoamento superficial urbano e agrícola, têm incorporado diferentes substâncias aos ambientes, em especial os chamados contaminantes emergentes. Alguns destes poluentes, os disruptores endócrinos, devem ser monitorados devido aos problemas que podem causar à biota, como disfunções na reprodução. Considerando o impacto de estrogênios oriundos de esgotos na vida animal, inclusive humana, foi realizado um estudo da eficiência de remoção destes compostos por uma estação de tratamento anaeróbio de esgotos. Em três campanhas amostrais, foram coletadas amostras líquidas de quatro pontos da estação de tratamento (afluente; antes do reator anaeróbio; após o reator anaeróbio; na saída da estação) e uma amostra sólida do lodo após o tratamento com calagem. Os compostos  17β-estradiol, estrona e 17α–etinilestradiol foram concentrados e extraídos por cartuchos de extração em fase sólida, e identificados e quantificados por HPLC. Na primeira coleta, foi constatado incremento na concentração dos estrogênios no afluente em relação ao efluente. Já na segunda coleta, o sistema empregado apresentou  99.0% de eficiência na remoção de 17β-estradiol e 77.8% de 17α-etinilestradiol da fase líquida. Na terceira coleta, somente o   17α-etinilestradiol foi detectado nas amostras, com um incremento na sua concentração nos pontos subsequentes ao reator, provavelmente devido à dessorção deste hormônio pelo lodo. Apesar da remoção verificada na segunda coleta, foi concluído que o processo não foi eficiente para a remoção do 17α-etinilestradiol, pois este hormônio apresentou-se mais resistente à degradação/adsorção, fato comprovado pela concentração em torno de 1 µg.L-1 no efluente.


Palabras clave


sistema anaeróbico, contaminantes emergentes, estrogênios, hormônios sexuais femininos, Brasil

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DOI: http://dx.doi.org/10.22201/iingen.0718378xe.2016.9.2.47683